Se você colocar dez maratonistas em uma mesa de bar e fizer essa pergunta, a discussão vai longe. No calendário nacional, duas cidades polarizam o coração e as pernas do corredor médio brasileiro: Rio de Janeiro e Porto Alegre.
De um lado, a prova com o visual mais deslumbrante do país. Do outro, o asfalto perfeito para quem quer voar baixo e bater recordes.
Antes de entrarmos no ringue, um aviso rápido para quem está chegando agora: quando falamos da capital gaúcha, estamos falando de duas provas distintas — a Maratona Internacional de Porto Alegre e a NB42k de Porto Alegre. Para efeitos práticos de desempenho e experiência, ambas são equivalentes. Ambas entregam um percurso extremamente plano, um clima propício, excelente organização e um apoio absurdo ao corredor. Veja nosso comparativo completo entre as duas.
Coloquei as duas gigantes lado a lado. Avaliei percurso, organização, clima e entrega. E no final deste texto, vou dar o meu veredito de qual delas você deve escolher para o seu próximo ciclo.
Maratona de Porto Alegre: a meca do RP
Se o seu foco é cronômetro, a capital gaúcha é o seu lugar. Porto Alegre não tenta ser um evento turístico glamouroso, ela é uma prova feita de corredores para corredores.
Os pontos fortes:
- Percurso plano e clima: O trajeto é extremamente plano. Some isso ao tradicional frio do Sul (ideal para o corpo não superaquecer) e você tem o cenário perfeito para fazer o seu RP (recorde pessoal).
- Organização e logística: É impecável. A Expo (feira de entrega de kits) é ampla, rápida e sem aquelas filas quilométricas que te deixam em pé horas antes da prova.
- Acolhimento: O pós-prova é uma verdadeira festa bem estruturada, com espaço para as assessorias e fácil dispersão. Você cruza a linha de chegada e é bem tratado.
Os pontos fracos (a real que precisa ser dita):
- Percurso (sim, negativo também): Por mais plano e rápido que ele seja, em alguns momentos pode se tornar monótono e tem grande chance de ventar no trajeto da orla do Guaíba.
- Torcida nas ruas: Além do frio em toda região, a Maratona de Poa larga cedo em uma época do ano em que o sol nasce mais tarde no Sul, então a maior parte da torcida pelos corredores se concentra apenas próxima da chegada, literalmente nos últimos quilometros.

Maratona do Rio: o espetáculo imperfeito
A Maratona do Rio é, sem dúvidas, a maior maratona do Brasil em número de concluintes. Correr 42km com a praia de um lado e as montanhas do outro é uma experiência de arrepiar, mas que ultimamente vem acompanhada de muita dor de cabeça.
Os pontos fortes:
- O visual e o calor humano: O percurso tem um pouco de altimetria (não é tão plana quanto POA), mas é, de longe, o mais bonito e menos entediante do Brasil. A quantidade de pessoas na rua gritando o seu nome e batendo palma te empurra quando a perna pesa no quilômetro 35.
- Material esportivo: O kit da prova (com as camisetas oficiais) costuma ser de uma qualidade excelente, justificando em partes o valor da inscrição.
Os pontos fracos:
- Falhas crônicas de organização: Nos últimos anos, a prova acumulou problemas graves que frustraram muitos amadores. Tivemos um sistema de inscrição estressante, falta de medalhas no fim da prova para quem correu mais devagar e aquela polêmica largada de “influencers” saindo na frente dos corredores comuns.
- Clima: O Rio costuma ser um pouco mais quente e úmido, mesmo no inverno. Se o sol resolver dar as caras de verdade no meio da prova, a fatura chega altíssima.

Veredito: afinal, qual escolher?
A resposta para a pergunta “qual a melhor maratona do Brasil?” não está no percurso, mas no seu objetivo.
Vá de Porto Alegre se: Essa for a sua primeira maratona ou se você tem uma meta de tempo muito agressiva (como buscar um índice de Boston ou bater o seu RP). A previsibilidade do clima, o asfalto liso e a organização que te abraça do começo ao fim (especialmente o excelente pós-prova e a facilidade na feira da maratona) tiram um peso gigante das costas de quem já vai sofrer por 42 quilômetros. Não é à toa que a Internacional de Porto Alegre foi a segunda maior do país em concluintes em 2025.
Vá de Rio de Janeiro se: Você já tem experiência com a distância e o seu objetivo é a festa e a experiência. Se você não está obcecado com o relógio e quer viver aquele “calor humano” único das ruas lotadas, as belezas naturais e cruzar a maior linha de chegada do país, o Rio é cativante e inesquecível, desde que você vá preparado psicologicamente para os possíveis perrengues com a organização e o clima menos favorável.
Escolha a sua, ajuste o planejamento e bons treinos!
William Cardoso
Maratonista e criador do Drops de Corrida

